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Vacinas e autismo: MITO– A Raiz da Desinformação

  • Foto do escritor: Dra. Juliana Framil
    Dra. Juliana Framil
  • 17 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Hoje vamos abordar um tema que gera muita dúvida e preocupação: a suposta ligação entre vacinas e transtorno do espectro autista (TEA). Será que isso é verdade? Vamos direto aos fatos!

 

Em primeiro lugar, de onde veio essa ideia de que vacinas causam autismo? Esse assunto ganhou força em 1998, com a publicação de um estudo no Reino Unido que alegava uma ligação entre a vacina tríplice viral (que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo.

 

No entanto, o que não se fala por aí é que essa publicação foi completamente desmentida e depois formalmente retratada pela revista científica. Descobriu-se que o estudo tinha falhas metodológicas graves, manipulação de dados e conflitos de interesse dos autores.

Infelizmente, apesar do estudo ter sido provado falso publicamente, causou um dano enorme, alimentando o medo e a desinformação, dando margem para as fake news que vemos até hoje e alimentando os movimentos antivacinas de todo o mundo.

 

Com o avanço da medicina, nossa compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou consideravelmente, resultando em um número muito maior de diagnósticos hoje do que no passado. Ao lado disso, é importante notar que o diagnóstico do TEA costuma acontecer após o primeiro ano de vida, uma fase em que as crianças já receberam grande parte de suas vacinas.

 

Paralelamente, ao longo das décadas, doenças graves como a poliomielite, difteria, sarampo e até mesmo a forma inicial da COVID-19 – aquele vírus selvagem que assustou o mundo com sua alta mortalidade – praticamente desapareceram de circulação. Isso aconteceu justamente porque a população estava vacinada e protegida. Ironicamente, o sucesso estrondoso da vacinação nos fez esquecer o quão devastadoras essas doenças podem ser para quem não está imunizado. Consequentemente, as preocupações com os possíveis efeitos adversos das vacinas passaram a dominar o debate atual.

 

Essa coincidência de tempo – o aumento dos diagnósticos de TEA e a ausência de doenças preveníveis por vacina – pode nos dar a sensação subjetiva de que as teorias da conspiração sobre vacinas e autismo são verdadeiras. No entanto, a ciência, quando realizada de forma séria, já provou o contrário. Vamos conferir isso juntos!

 

Existe alguma evidência científica que comprove essa correlação?

A resposta é um categórico NÃO. Nos últimos 30 anos, dezenas de milhares de artigos científicos foram publicados sobre o assunto. Centenas de estudos, envolvendo milhões de crianças ao redor do mundo, como grandes meta-análises e estudos populacionais robustos (alguns envolvendo mais de 1,2 milhão de crianças), já investigaram minuciosamente ao longo de anos e comprovaram categoricamente que não há qualquer ligação entre vacinas e autismo. A ciência é clara: vacinas não causam TEA.

 

Se não são as vacinas, de onde vem o autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição complexa. Ele não tem uma única causa, mas sim um conjunto de fatores. A ciência aponta para uma combinação de fatores genéticos (com mais de 100 genes já associados ao TEA) e fatores ambientais, como idade avançada dos pais e intercorrências durante a gestação ou o parto. As vacinas, definitivamente, não estão nessa lista de causas.

 

Então, vale a pena se vacinar?

A vacinação é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da saúde pública. A ciência nos mostra que a vacinação infantil previne entre 2 e 3 milhões de mortes a cada ano, em todo o mundo. É através dela que garantimos que nossas crianças cresçam saudáveis, livres de doenças infecciosas, e possam alcançar a vida adulta. Historicamente, a combinação da vacinação com o saneamento básico foram os primeiros e mais importantes passos para aumentar a expectativa de vida da humanidade. Vale ressaltar que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê o direito à vacinação para crianças e adolescentes, estabelecendo a obrigatoriedade da vacinação infantil nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

Mesmo após os estudos iniciais que aprovam as vacinas e permitem sua comercialização e aplicação na população, existe um rigoroso sistema de vigilância sanitária, em todo o mundo,  que monitora, notifica e estuda cuidadosamente qualquer evento adverso relacionado às vacinas que são aplicadas em nosso dia a dia. Aquelas que comprovadamente causam efeitos colaterais mais graves são prontamente retiradas do mercado ou têm suas recomendações ajustadas, tudo para garantir que a sua aplicação seja sempre segura e benéfica.

Confie na ciência, confie nas vacinas! Proteja quem você ama. Cuidar é prevenir! Até a próxima!

 
 
 

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