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Alerta: caso de Sarampo confirmado em São Paulo!

  • Foto do escritor: Dra. Juliana Framil
    Dra. Juliana Framil
  • 17 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

A Secretaria de Estado da Saúde confirmou, na última sexta-feira, um caso de sarampo em adulto não vacinado no município de São Paulo, com histórico recente de viagem aos Estados Unidos. A ocorrência acende um alerta importante para os profissionais de saúde e para a vigilância epidemiológica, especialmente diante do aumento de casos nas Américas e da perda da certificação de área livre de sarampo na região.


Entender o sarampo e como nos proteger é mais relevante do que nunca. Vamos juntos entender sobre essa doença e descobrir como podemos combatê-la.

 

Para começar, o que exatamente é o sarampo?"

O sarampo é uma doença infecciosa grave, altamente contagiosa, causada por um vírus que pertence à família dos paramixovírus. Antes da vacinação em massa, nas décadas passadas, o sarampo era uma doença extremamente comum. Quase todas as crianças pegavam sarampo, e isso levava a um número alarmante de hospitalizações e, tristemente, muitas mortes.

Traduzindo em números, na década de 1990, O Brasil tinha mais de 60 mil casos confirmados de sarampo e próximo de 480 óbitos por ano.

Felizmente, a história mudou drasticamente com a chegada da vacina, que transformou completamente o cenário de saúde pública. O sarampo  chegou a ser erradicado em nosso país, mas pela queda nas taxas de vacinação, em 2018, o vírus foi reintriduzido e, de 2019 a 2022, foram confirmados quase 30.000 casos. Com isso, foram reforçadas as campanhas de vacinação, reduzindo novamente a incidência de casos em nosso país.  Em novembro de 2024, o Brasil recebeu a recertificação de eliminação da circulação endêmica do sarampo concedida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), entretanto com o surgimento de novos casos importados, em 2025, a situação volta a preocupar.

 

Agora, uma das coisas mais importantes: "Quais são os sinais e sintomas que devemos observar? Quando suspeitar que alguém está com Sarampo?"

No início, a pessoa com sarampo pode sentir:

  • Febre, que costuma ser alta, acima de 38,5°C.

  • Tosse persistente: Geralmente seca.

  • Coriza.

  • Conjuntivite: Olhos vermelhos e lacrimejantes.

  • Mal estar intenso

 

Cerca de 3 a 5 dias após o início da febre, surge a erupção cutânea – as famosas manchas vermelhas (exantema). Elas geralmente começam no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se rapidamente para o tronco e membros. As manchas podem se unir, formando áreas maiores de vermelhidão. A febre pode se manter alta durante essa fase do exantema.

 

Um sinal muito característico que aparece são as pequenas manchas brancas na parte interna da bochecha, chamadas manchas de Koplik. 

 

 

Quais as complicações?

 

O sarampo pode evoluir de forma grave. Embora a maioria dos casos se recupere sem maiores problemas, uma porcentagem significativa de pacientes, especialmente os mais vulneráveis, pode desenvolver complicações sérias.

 

As complicações mais comuns incluem:

  • Otite média (infecção de ouvido), que ocorre em 10% dos casos. Em casos graves, pode haver a perda da audição de forma permanente.

  • Pneumonia, que é a principal causa de morte relacionada ao sarampo em crianças pequenas e acontece em 5% dos casos.

  • Em casos mais raros, porém devastadores, pode ocorrer encefalite, uma inflamação do cérebro que pode levar a danos cerebrais permanentes ou até mesmo à morte.

 

A taxa de mortalidade varia, mas pode ser significativa em populações desnutridas ou com acesso limitado à saúde, chegando a 3 a cada 1.000 crianças com a doença.

 

Os grupos de risco para desenvolver complicações graves são: crianças menores de 5 anos, principalmente os bebês; gestantes (que podem ter o risco de aborto ou parto prematuro); e pessoas com a imunidade comprometida.

 

Como é feito o diagnóstico do sarampo?

Suspeitamos do sarampo através dos sinais e sintomas que conversamos.  Se você, ou alguém próximo, apresentar febre alta, tosse, conjuntivite e manchas na pele - é importante procurar um médico imediatamente.

Para a confirmação, são realizados exames laboratoriais. Os mais comuns são a sorologia, que busca anticorpos específicos no sangue, e o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que detecta o material genético do vírus em secreções nasais, orofaringeas ou urina. O diagnóstico precoce é fundamental, não só para o tratamento adequado, mas também para evitar a propagação da doença na comunidade.

 

 

A pergunta que sempre vem à mente é: "existe um tratamento específico para o sarampo?"

Aqui, como a grande maioria das doenças virais, a resposta é não. Infelizmente, não existe um tratamento antiviral específico para o sarampo, ou seja, nenhum remédio que cure diretamente a infecção pelo vírus. O manejo da doença é baseado em cuidados de suporte. Isso inclui:

  • Hidratação adequada: Beber bastante líquido.

  • Nutrição: Manter uma alimentação equilibrada.

  • Repouso.

  • Uso de antitérmicos para o controle da febre.

  • Lubrificação e limpeza ocular.

  • E o tratamento das complicações que possam surgir, como antibióticos para infecções bacterianas secundárias (pneumonia, otite), suporte ventilatório, quando necessário, etc.

 

A vitamina A mostrou efeito protetor por reduzir as taxas de morbidade e mortalidade pelo sarampo em países em desenvolvimento. Dessa forma, recomenda-se a administração de vitamina A em crianças com a doença.

 

É de extrema importância buscar atendimento médico assim que os primeiros sintomas aparecerem. O médico poderá monitorar a evolução da doença, aliviar os sintomas e intervir rapidamente se houver complicações.

 

Uma característica que torna o sarampo tão preocupante é sua alta capacidade de se espalhar. Então: como o sarampo se espalha tão rapidamente?

O vírus do sarampo é um dos agentes infecciosos mais contagiosos que conhecemos - uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.  Sua transmissão ocorre principalmente pela via aérea, através de gotículas e aerossóis expelidos através da tosse, espirro ou fala de uma pessoa infectada. Essas partículas podem permanecer suspensas no ar por algumas horas e ser inaladas por outras pessoas, mesmo que o indivíduo doente já não esteja mais no local. Também pode ocorrer por contato direto com secreções de uma pessoa infectada. Um detalhe importante é que a transmissibilidade começa alguns dias (5 a 6 dias) antes do aparecimento das manchas e continua por até quatro dias após o início das lesões cutâneas. Ou seja, a pessoa com sarampo começa a transmitir a doença antes mesmo de desenvolver os sintomas. Antes de saber que está infectado! Por isso, a vacinação é fundamental – assim, ficamos protegidos e, mesmo que este contato aconteça, não nos causará complicações!

  

Então você já sabe: Qual a melhor forma de se proteger contra o sarampo?

A resposta é clara: a vacinação! A vacina contra o sarampo é altamente segura e eficaz, e é geralmente administrada como parte da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) ou da tetraviral (que inclui também a varicela).

 

O calendário de vacinação recomendado para crianças inclui:

  • Vacina tríplice viral aos 12 meses (1 ano de idade).

  • Vacina tetraviral aos 15 meses de idade.

 

Crianças mais velhas, adolescentes e adultos que não foram vacinados ou não têm comprovação de vacinação também devem receber 2 doses de vacina tríplice viral , com intervalo de 30 dias entre elas.

 

Em situações de surto, ainda é recomendada uma dose chamada de "dose zero", que é uma dose adicional administrada a crianças de 6 a 11 meses de idade, como uma medida temporária para aumentar a proteção contra a doença em momentos de alto risco de desenvolver a doença. Essa dose não substitui as doses de rotina aos 12 e 15 meses, mas oferece uma proteção precoce contra formas graves da doença e ajuda a reduzir a transmissão comunitária.

 

É impotrante lembrar que as vacinas contra o Sarampo são compostas por vírus vivo atenuado e, portanto, não podem ser administradas em pacientes com a imunidade comprometida e gestantes. Por esse motivo, atingir e manter uma alta cobertura vacinal na população é fundamental para alcançarmos a chamada "imunidade de rebanho", onde a vacinação de grande parte da comunidade protege indiretamente aqueles que não podem ser vacinados.

 

Em resumo, o sarampo é uma doença grave e altamente contagiosa, com riscos de complicações sérias e fatais. Não há tratamento específico, mas a boa notícia é que temos uma ferramenta poderosa para combatê-lo: a vacina. Vacinar-se e vacinar sua família é um ato de responsabilidade individual e coletiva. A conscientização e prevenção são as chaves!

 

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Cuidar da nossa saúde é um compromisso diário! Até a próxima!

 
 
 

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